segunda-feira, 14 de junho de 2010

Notícias

Voltando do FILO (Festival Internacional [de Teatro] de Londrina) com o Grupo Cerco, trago algumas notícicas sobre a Opereta. Depois de convites feitos e agendas alteradas, temos quase todo o elenco do espetáculo fechado. Ainda estamos aguardando algumas confirmações, mas parece que teremos uma equipe formada por "99%" do pessoal responsavel pela montagem de O Sobrado. Os nossos ensaios de canto já começaram, mas deverão se regularizar a partir da semana que vem. Ainda existem vagas para atores e o grupo já começou a propor alguns nomes, no entanto ainda não há nada certo.
Outra boa notícia é que no outro fronte de batálha (a banda) nós começamos a compor uma música nova. Trata-se de uma típica "canção de piratas" que deve estar no segundo ato da peça, quando nossos famigerados personagens fogem do limbo em um navio. Hey-hey-How!
(É isso?)
oO

Celso Zanini

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ensaio Circense

Esta é a letra de uma das músicas que vão fazer parte da opereta ainda sem nome da Sanatório. A melodia é parecida com aquele clássico "tema do palhaço" que se ouve em circo. Trata-se de um momento nodal da história quando um dos personagens, imerso no mundo da política parlamentar, percebe o que há em sua volta.

Ensaio Circense
(Celso Zanini)

Detestável público!
Bem vindos ao pior show da terra!
O picadeiro do planalto central!

Ritmo clássico de circo:
O circo foi armado, eleito deputado
E há segredos, nosso show tem seus procedimentos
Iniciando a reunião, um espetáculo em ascensão
Vamos te mostrar como funciona a divisão

Nosso público exigente, de sorrisos sem um dente
Quer pensar demais melhor manter burro e doente
E a jornada de trabalho, diferente do salário
É pequena, mas mantenha a sua agenda cheia

Tenho uma sugestão, com o dinheiro da união
Pode viajar e sem gastar nenhum tostão
Olha essa bailarina, 13 anos já mocinha
Que eu contratei pra animar nossa festinha

Na cartola não há coelho, há maletas de dinheiro
Tem que aproveitar senão um outro vai roubar!
Um docinho pro doutor, só escolher o seu sabor
Drogas, grana, sexo pra votar a meu favor

81 palhaços! Um circo afinado!
E todo mundo rouba junto pra não sujar.
Cada um com a sua cor, e o seu próprio show de horror
Fazem você rir e também fazem se assustar

Nosso mágico é fantástico e também o homem elástico
Estão prontos pra fazer o povo se esquecer
E o domador de leões, garantiu os seus milhões
A nossa cigana nos previu muito mais grana!

Volta a base da Intro:
Passa um ano... mais um ano... preparando... discursando...
Mais escolas e esmolas, eu garanto que agora
O coronel vai lhe bancar, é só saber em quem votar
Não se esqueça da favela, “mas eles já tem novela!”
E a classe média? “alguém aqui vai ter que trabalhar!”

81 palhaços! Um circo afinado!
E todo mundo rouba junto pra não sujar.
Cada um com a sua cor, e o seu próprio show de horror
Fazem você rir e também fazem se assustar!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Enganando o Capeta (conto)

Uma certa feita eu encontrei um homem sem alma. O homem tava andando por aí, cabisbaixo, triste, sem ver sentido na vida, na morte...
Aí eu perguntei: O que é isso homem?? Pra que todo esse desânimo?
Ele respondeu: Vendi a alma para o Diabo. Só que ele não me pagou o que devia. Acho que fui enganado.
Eu retruquei: Bom! Mas então vamos resolver essa pendenga!
E lá fomos nós... rumo ao trono de Satanás...
Lá chegando, conversamos com o Chifrudo.
Ele explicou que o homem devia ter lido o contrato antes de assinar (especialmente as letras miúdas) e que lá dizia direitinho que o pedido podia ser entregue com mil anos de atrazo sem qualquer dívida para o Cramunhão.
Eu e o homem nos olhamos embasbacados com tal artimanha.
"Mas então eu te proponho uma troca - disse eu pro Satanás - Eu tenho duas almas. Duas que comprei por aí e venho guardando pra um momento de necessidade. Te dou duas almas por uma."
"Fechado!", respondeu o Cão com uma risada maléfica e um aperto de mão.
Nisso eu passei as duas almas pro Coisaruim e quando ele foi me devolver a alma do homem eu perguntei pro meu compoanheiro: "Faz diferença se a alma que comprarmos não for a mesma que tu vendeu pro Tinhoso?" o homem olhou pra mim e deu de ombros dizendo que não. Então o Sem-luz me falou sorrindo... "Que alma o senhor deseja? Uma mais inocente talvez?"
Eu disse... "Não quero não... Quero é a TUA alma SEU FEDORENTO!" Ele ficou desconcertado, mas sabia que tinha concordado com a troca de "duas almas por uma" sem específicar quais seriam. Gritando e chingando o Capiroto entregou sua alma, sabendo que valia muito mais do que as duas que eu tinha dado pra ele em troca.
Nisso fomos embora eu e o homem, deixando o Pé-cascudo esbravejando e cuspindo fogo pelas ventas.
Eu que não sou bobo nem nada não contei que as almas que eu tinha vendido pra ele nem eram minhas... eram almas de um outro Diabrete que eu tava levando pro outro lado do inferno.
Quando encontrei o meu patrão eu "contei" de como o primeiro tinha me enganado e deixei que eles resolvessem sozinhos o dilema.
Enquanto o homem?... o homem ficou lá aproveitando a alma nova e os benefícios extras dela.
Essa é a história de como eu comprei a alma do Diabo.
É uma história real.
Pode perguntar pro Canhoto quando encontrar ele.

- V.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Música Espetácular

Muito bem. Hoje tivemos o segundo ensaio da semana com a banda Sanatório Rock Blues (o primeiro foi segunda). Esta nova rotina de três ensaios por semana é certamente maior do que a que costumam ter a maioria das bandas, mas é muito produtiva. Fico feliz em comunicar que estamos começando a nos encaminhar para as versões definitivas das músicas, começando a encontrar a trilha que leva à música espetácular.
Por favor, não me entendam mal. Quando eu falo em música espetácular eu não estou querendo dizer que são músicas de excelência suprema nem nenhum outro tipo de auto-afirmação egocêntrica, não queiram me crucificar!! O que eu quero dizer com música espetácular é que se trata de música feita para espetáculo, mais precisamente para o espetáculo teatral (se não entendeu nada veja o post anterior).
Pois bem, vamos falar um pouco sobre isso então. Quais seriam as diferenças entre a música que uma banda normal faz e a música composta ou adaptada para um espetáculo? A principal delas é o volume de som. Quando se está tocando em uma banda que está acostumada a fazer shows em casas noturnas equipadas com amplificadores de guitarra, baterias completas, e gente bebada querendo ouvir muitos decibéis estourando seus tímpanos fica um pouco complicado trabalhar as mudanças que são necessárias para criar um som menos barulhento. Não que o volume de som seja sempre incômodo. Nas casas noturnas e tipos de apresentação que acabei de citar esta energia sonora toda cai muito bem, mas quando se está tocando em um lugar mais climatizado ou então em uma sala de teatro a coisa fica um pouco diferente.
Imagine que você está sentado em sua cadeira assistindo a um espetáculo onde alguns atores interpretam uma cena sem microfones em um lugar com uma acustica trabalhada para amplificar naturalmente o som ambiente. Aí eis que de repente entra uma banda tocando com toda a energia de um festival de rock. Quando a música terminar e a cena continuar, seus ouvidos vão ter acostumado com o volume de som da banda e você já não vai mais conseguir ouvir tão bem o que antes ouvia tranquilamente. Além de que a alternação entre os diferentes volumes vai certamente ser um elemento extremamente anti estético.
Por isso mesmo precisamos destas adaptações.
Outro motivo é que em um ambiente maior, como uma sala de teatro, o som se espalha, fazendo com que seja possível entender melhor arranjos e detalhes. Por esse motivo é importante que se torne as músicas mais refinadas e preenchidas, para que a experiência seja ainda mais rica.
Antes da banda Sanatório Rock Blues se propor a um projeto profissional, nós tínhamos a liberdade de deixar arranjos em aberto e improvisar muito. Podíamos nos dar ao luxo de errar uma ou outra nota ou ainda esquecer uma letra, tudo fazia parte do show, mas agora não. Agora precisamos ter tudo muito bem definido e marcado para que o espetáculo seja preciso e impressionante. Além disso precisamos adaptar as músicas para que, apesar de toda esta precisão e adaptação, elas não percam a espontaneidade e energia que sempre tiveram. É um caminho difícil e cheio de contradições.
Por isso os três ensaios por semana, o trabalho em casa, as discussões, pesquisas e referenciais. Por isso levar o trabalho a sério, e me parece que apesar de tudo estamos indo muito bem obrigado. Mesmos estando ainda no início do processo estamos conseguindo chegar cada vez mais perto do ideal.

Celso Zanini

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sanatório Vira Espetáculo Teatral

Então meus amigos. Aqui vai uma boa notícia pra quem gosta de misturas entre diferentes estilos de música, mídia, arte e afins: o conto da Sanatório vai virar uma peça teatral. E como todo mundo que conta um conto aumenta um ponto, o espetáculo vai contar com uma reformulação total da banda que a partir de agora vai trazer novas músicas e um visual ainda mais diferente e elaborado para o palco. A essência vai continuar a mesma. A energia e o clima "dark divertido" vai se manter, mas os desdobramentos desta empreitada épica vão nos levar para muito mais lugares e atmosferas.
O espetáculo vai ser montado pelo Grupo Cerco, responsável pela premiada peça "O Sobrado", tendo a banda Sanatório Rock Blues como compositora da trilha sonora e dramaturgia escrita por Celso Zanini (vocalista da banda, integrante do Grupo Cerco e este que vos fala). O processo de montágem do espetáculo já começou e deve durar nove meses, tendo a sua estréia prevista para dezembro de 2010.

Aguardem.
Celso Zanini

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Que é Sanatório Vaudeville?

Ok, ok, ok... tu estás certo. "Lá vem o Celso com mais um Blog, Fotolog, Perfil, Comunidade, Myspace, Facebook, Banda, Projeto, Livro, Peça, o Diabo-a-quatro pra encher o saco!" Bom... é verdade. Mas esse aqui é diferente. Esse aqui é o Blog para reunir um pouco de tudo. Um pouco do que eu escrevo e do que meus amigos escrevem também. Um lugar pra falar de nossa forma peculiar de enxergar e encarar o mundo. Um espaço pra arte decadente do novo mundo que se constrói. Já se constrói desmoronando.

Por que Sanatório? Essa é simples: porque é um espaço para expressar as idéias que também são expressas pela banda Sanatório Rock Blues. Não poderia negar a influência mútua, então jogo ela na cara.
Por que Vaudeville? Essa é um pouquinho mais complexa: Vaudeville é um estilo de entretenimento que surgiu na virada do século XIX para o século XX e que foi muito popular. Ele consistia basicamente na apresentação em teatros, bares e outros estabelecimentos de uma mistura de diversos tipos de "fazer espetacular". No Vaudeville você poderia sentar em sua mesa, apreciar uma bebida enquanto assistia a números musicais seguidos de uma cena teatral, depois de uma apresentação de "circo dos horrores", animais treinados, comediantes e por fim terminar a noite com uma dançarina em seu colo. O Vaudeville ocupa também em nosso (meu) imaginário aquele espaço de cultura decadente da época das grandes indústrias, crises econômica e período pré e entre-guerras. Tudo isso se conecta muito ao que eu e alguns outros artistas que conheço entendem como a "nossa época" o espírito meio existencialista, meio cínico, com aquela esperança renovada por uma crença não baseada na fé religiosa, mas na fé de que há algo intrínseco no ser humano capaz de fazê-lo buscar a felicidade (e ser feliz) enquanto caminha entre as ruínas de uma cidade fantasma. Bom, como dito antes, Vaudeville é um lugar/evento onde acontecem diversas manifestações artísticas e é esse o objetivo deste Blog: mostrar um pouco da literatura, música, comportamento e imagens que dançam na minha cabeça e extrapolam para as minhas ações.

Os dez mandamentos
Onde procurares ordem entrarás caos.
Sempre o outro lado da moeda.
Saber, Ousar, Calar.
Ao ser destruído, torna-se sagrado.
O cinismo contra o cinismo.
Sorria.
Sempre vão existir os heróis.
Sou eu quem uso minhas máscaras.
Há incompatibilidade entre alguns.
É preciso ser drástico.

Convido desde já os poetas, cronistas, músicos, fotógrafos, desenhistas e amigos a participar deste Blog e não me deixar cansar dele. Se eu me cansar também mando tudo pro inferno e alimento um pouco mais essas chamas tão gigantes que tenho alimentado.

Celso Zanini